Rav Ashi
Primeiro editor do Talmude Babilônico e restaurador da Academia de Sura.
Rav Ashi (352–427) foi um rabino judeu babilônico da sexta geração dos amoraim. Ele restabeleceu a Academia de Sura e é reconhecido como o primeiro editor do Talmude Babilônico, compilando e editando a Guemará a partir das explicações e discussões da Mishná que haviam sido ensinadas nas academias babilônicas.
- born
- 352
- died
- 427
- field
- Rabbinic scholarship, Talmudic editing
- nationality
- Babylonian Jewish
- known_for
- First editor of the Babylonian Talmud, reestablished the Sura Academy
Lore & Background
Rav Ashi nasceu em 352, o mesmo ano em que Rava morreu, segundo a tradição. Seu pai, Simai, era um homem rico e erudito que estudou no colégio de Naresh, perto de Sura, sob a orientação de Rav Pappa. O professor de Ashi foi Rav Kahana III, mais tarde presidente da academia em Pumbedita. Ashi casou-se com a filha de Rami bar Hama (ou Rami b. Abba). Ele era rico e influente, possuindo muitas propriedades e florestas, e o Talmude o cita como exemplo de 'Torá e grandeza combinadas em um só lugar' — possuindo tanto realização acadêmica quanto autoridade política, até mesmo sobre o exilarca Huna bar Nathan.
Ainda jovem, Rav Ashi tornou-se chefe da Academia de Sura, que estava fechada desde a morte de Rav Chisda em 309. Sob Ashi, Sura tornou-se novamente o centro intelectual dos judeus babilônicos. Ele reconstruiu a academia e a sinagoga em Mata Mehasya, sem poupar despesas. O exilarca vinha anualmente a Sura no mês seguinte ao Rosh Hashaná para receber homenagens. Sura manteve sua proeminência por séculos. O filho de Ashi, Tabyomi (Mar bar Rav Ashi), tornou-se chefe da academia apenas em 455, 28 anos após a morte de seu pai.
Rav Ashi fez de sua obra de vida coletar e editar a Guemará — as explicações da Mishná ensinadas nas academias babilônicas desde os dias de Rav, juntamente com todas as discussões e material haláchico e agádico. Ele completou esta tarefa com seus discípulos e estudiosos durante as conferências semestrais de Kallah. A atitude bondosa do rei Yazdegerd I e o reconhecimento de sua autoridade pelas academias de Nehardea e Pumbedita favoreceram o empreendimento. Segundo uma tradição trazida por Hai Gaon, Ashi ocupou seu cargo por 60 anos, com cada tratado exigindo seis meses de estudo e redação, totalizando 30 anos para 60 tratados, repetidos uma vez. O próprio Talmude menciona uma versão anterior e posterior de seus ensinamentos sobre pelo menos um assunto.
Reader's Guide
A importância de Rav Ashi reside em seu papel como o primeiro editor do Talmude Babilônico, um texto fundamental do judaísmo rabínico. Ao compilar e organizar a Guemará — os séculos de explicações, discussões e material legal e narrativo em torno da Mishná — ele criou um corpus definitivo que guiaria a lei e o pensamento judeus por gerações. Seu trabalho foi continuado por Ravina II e concluído por volta de 499, com apenas pequenas adições dos Saboraim. A afirmação 'Rav Ashi e Ravina são os últimos representantes de decisão independente (hora'ah)' sublinha a autoridade de seu trabalho editorial, que se tornou tão central para o estudo posterior quanto a Mishná havia sido para os Amoraim.
O restabelecimento da Academia de Sura por Ashi reviveu a vida intelectual judaica babilônica após décadas de inatividade. Sua combinação de riqueza, influência política e autoridade acadêmica — comparada apenas ao Rabino Judá haNasi — permitiu-lhe comandar respeito do exilarca e de outras academias. A duração de seu mandato (tradicionalmente 60 anos) permitiu uma redação sistemática. O próprio Talmude não afirma se o trabalho editorial foi escrito, mas a fixação de uma obra tão abrangente provavelmente exigiu escrita. Rav Ashi frequentemente fornece comentários no final de amplas discussões talmúdicas, oferecendo conclusões para questões não resolvidas. Seu legado perdura através do Talmude Babilônico, que continua sendo um texto central do estudo e da prática judaica.
Did You Know?
- Rav Ashi nasceu no mesmo ano em que o grande mestre Rava morreu, segundo a tradição.
- Ele foi o primeiro mestre importante nas Academias Talmúdicas da Babilônia após a morte de Rava.
- O Talmude dá Rav Ashi como exemplo de 'Torá e grandeza combinadas em um só lugar' — realização acadêmica e autoridade política.
- Um túmulo disputado na fronteira entre Líbano e Israel é considerado por alguns judeus Breslov como o local de sepultamento de Rav Ashi, enquanto libaneses locais acreditam que abriga um clérigo xiita do século XVI chamado Sheikh Abbad.
More in Religious Figures
Elsewhere in the Historical Figures universe
Spotted an error? Know more?
This is a living reference — every entry is fact-audited, and reader corrections feed straight into our audit queue. Suggest an edit · See this site's audit record
